Enfrentando o Stress
O estresse é atualmente uma das maiores causas de perda deprodutividade nas empresas. Segundo estudo recente feito na Inglaterra peloChartered Institute of Personnel and Development, o número de abstenções aotrabalho dobrou nos últimos 10 anos. Além disso, existem as perdasindiretas, que são incalculáveis, pois o estresse está relacionado àdiminuição da capacidade de memorização com aumento de erros em atividadesque requerem atenção.Estresse pode ser conceituado como "dificuldade de adaptar-se àsexigências da vida", as quais, atualmente, são muito mais mentais quefísicas, pois o trabalhador do conhecimento não tem de fazer esforço físico,mas, sim, mental. Este, por sua vez, pode provocar um sofrimento muito maisintenso e significativo para o ser humano que o sofrimento físico. A provadisso está nos índices de suicídio em países de PrimeiroMundo, que são muito maiores do que em países como a Etiópia, por exemplo,onde a fome (sofrimento físico) é intensa. A pessoa estressada caracteriza-se, basicamente, por três dificuldades: dereconhecer limites, de delegar e de determinar prioridades. Os limites não percebidos costumam ser os físicos. Um indivíduo estressado, antes de infartar, seguramente já sentiu um incômodo no peito,mas ignorou a sensação até que algo mais grave acontecesse. Por ser umasíndrome, o estresse manifesta-se com sintomas diferentes, dependendo dascaracterísticas de cada indivíduo; logo, é essencial saber como o corpomanifesta o estresse: com enxaqueca, gastrite, irritabilidade ou outrossintomas? A dificuldade de delegar existe porque a pessoa estressada quer ter ocontrole de tudo, pois é mais rápido e mais fácil fazer do que ensinar o quetem de ser feito. Evidentemente, uma tarefa delegada a outra pessoa nãoficará tão bem feita como se a fizéssemos, mas a única maneira de cuidar decoisas mais importantes é delegando as menos importantes, lembre-se disso. As prioridades, por sua vez, encontram-se diretamente ligadas à gestão dotempo. Tempo não é dinheiro, conforme se ouve por aí, mas, sim, vida.Tempo é um recurso não-renovável o dia de hoje jamais voltará e dinheiro, renovável ganha-se amanhã o dinheiro gasto hoje. Em uma vida de 60 anos, 20 anos são passados dormindo, 15, trabalhando e 5,alimentando-se. Só essas três atividades consumem 40 anos de vida. Paratodas as outras coisas, entre elas a realização de sonhos, sobram apenas 20anos, que correspondem ao tempo passado na cama, dormindo! Para determinar prioridades é preciso diferenciar entre o que urgente e oque é importante. Urgência se caracteriza pela necessidade imediata temde ser feito agora , e importância relaciona-se a valor. Existem quatrotipos de atividades: Importantes e urgentes: crises, situações de intensa demanda; Importantes, mas não urgentes: relacionadas a qualidade de vida e arealizações, por meio das quais cuidamos do futuro em vez de ficarsolucionando crises do presente; Urgentes, mas não importantes: dão-nos a ilusão de estarmos fazendo o queé importante quando, na verdade, estamos fazendo apenas o que é urgente,como atender o celular que toca no meio de uma reunião importante, que seatrasa por culpa disso; Nem urgentes nem importantes: atividades com as quais nos distraímos. Você passa a maior parte do seu tempo cuidando do importante ou do urgente? Se não cuidar do importante, um dia ele acaba virando urgente e você podepassar a vida gerenciando crises, ou seja, "apagando incêndios".Para identificar o que é importante, imagine-se no fim de sua vida eresponda: de que você se arrependeria de não ter feito? Posso lhe garantirque você não se arrependeria de não ter passado mais horas no escritório. A vida pode ser dividida em quatro segmentos: físico (os cuidados quedispensamos ao nosso corpo), profissional, familiar e de crescimentopessoal e espiritual. Imagine uma roda e divida-a em quatro partes, cada uma correspondendo a um segmento da vida. Para essa roda girar, tem de haver equilíbrio entre seus segmentos. Se você se concentrar demais no profissional, esquecendo-se do corpo, acabará infartando aos 40 e não aproveitando o dinheiro que ganhou. Todos nós podemos aprender a gerenciar o estresse de um modo maisprodutivo. Assim como é impossível nadar 200 metros mergulhando, mas,respirando antes de cada braçada, pode-se nadar muito mais do que isso,temos de criar pequenos intervalos de descanso, para, renovando nossaenergia, podermos atingir a outra margem desse rio que se chama vida. Por Dr. Frederico Porto, Médico, Psiquiatra e Psicoterapeuta, Professorconvidado da FGV-SP, Credenciado pelo National Values Center- EUA
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