terça-feira, 11 de dezembro de 2007
Aquecimento Global
"É mais tarde do que imaginamos. Não podemos mais reverter o aquecimento global. Precisamos agora é pensar na nossa adaptação". A afirmação é do pesquisador do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), Carlos Nobre. Segundo ele, no atual estágio o máximo que a humanidade pode fazer é evitar que o cenário piore. "Não dá para modificar nada no curto prazo. Por outro lado, para tentar parar o processo de aquecimento global a longo prazo, os homens precisam diminuir de 60 a 70% as emissões de gases estufa. Isso significa uma mudança completa no modo de vida dos seres humanos", explica. Para se ter uma idéia, as atuais ações adotadas pelo poder público, empresas e cidadãos como crédito de carbono, substituição de matrizes energéticas ou combate às queimadas diminuem em 10% as emissões. "As ações estão no sentido correto, mas não são suficientes. Elas são boas para os negócios, pois mantém a economia aquecida, na maneira que funciona hoje, e parecem ecologicamente corretas. Mas não adianta fazer só isso", diz. Nesse cenário, Nobre diz que acadêmicos, políticos e empresários já devem começar a pensar em maneiras de adaptação. "As saúvas paulistanas já estão se adaptando. Pesquisas já demonstraram que elas suportam temperaturas cada vez mais altas. Precisamos encontrar as nossas saídas", explica. Mesmo se todos focarem os esforços em descobertas de recursos adaptativos, a tarefa não será simples. "A capacidade adaptativa humana é pequena e as mudanças climáticas vão aumentar ainda mais a desigualdade", diz. Segundo o pesquisador, a diminuição da emissão de gases não pode ser uniformemente dividida. "Como reduzir o impacto gerado por uma pessoa que ganha três salários mínimos?", questiona, afirmando que países como os Estados Unidos e outras potências industriais devem ser os responsáveis por reduzir a emissão de gases. Diante de tamanho problema, o diretor da Iniciativa de Mudanças Climáticas da Fundação Clinton (EUA), Ira Magaziner, avalia que as ações de combate ao aquecimento global devem focar as cidades. "As áreas urbanas usam 75% da energia do mundo e grande parte desse consumo é desperdiçado. Prédios antigos poderiam reduzir em 30% o consumo se fizessem adaptações no sistema de energia e de água", explica. Segundo Magaziner, não são apenas as residências e empresas que gastam energia de maneira desnecessária. "Os faróis de transito, por exemplo, gastam mais da metade da energia consumida produzindo calor, ao invés de luz", lembra. "O Protocolo de Kyoto não deu certo. Precisamos encontrar novos caminhos. Reduzir drasticamente a emissão de gases nos próximos 10 anos. Se não fizermos isso, teremos de resolver outro grande problema: o da migração", conclui, explicando que um número muito grande de pessoas terá de se aglomerar em poucas regiões do globo para fugir dos problemas climáticos. Artigo de Carlos Nobre
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